quinta-feira, 8 de maio de 2014

Voltei pro Facebook...

Tô fazendo uns desenhos pra eleição do Sindicato dos Bancários e aí me disseram que eu deveria entrar no "Face", pra saber o que tava rolando e pra poder fazer umas caricaturas com base nas fotos do pessoal das chapas. Aí, como vários amigos já vinham insistindo que eu deveria voltar, voltei.
O de sempre lá, né? O peso do negócio são as mensagens "pra frentex", a auto-ajuda facebookeana. E as coisinhas "ai, que amor!". E vem religiosidade, e vem campanha em prol dos bichos (que eu sou a favor, mas não sei por que, não gosto desta onda na internet). Depois tem as coisas engraçadas, que eu gosto. Depois tem também as coisas políticas, que eu gosto e não gosto. Por que política é aquilo... tem gente em todas as posições. Dali a pouco tu descobre que um camarada próximo é um pouco mais reaça (ou desinformado) do que deixava transparecer nas conversas ocasionais. E daí já começa a irritação.
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Porra, acabou de me ligar uma moça da NET oferecendo TV a cabo por um preço atrativo. Disse pra ela com toda a educação: moça, eu agradeço, mas realmente não estou interessado, eu não olho TV, tudo o que eu gosto e que passa lá, encontro na internet.
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Me contive pra não dizer também: sabe o que que é, moça... TV me deprime, eu não consigo acreditar que o tempo todo tem gente aceitando o atestado de imbecilidade que este troço passa. E é isso... Facebook também me deprime, porque é o balaião que aceita tudo. O problema sou eu, claro. Odeio TV, odeio futebol, odeio cigarro, ateu, vegetariano, contra o trabalho, contra o bairrismo e os nacionalismos, contra os oba-obas, contra os conservadores, contra os liberais, contra tudo... qualquer dia vou dar um soco na minha própria cara. Sou contra mim também.
Ah, chega de tanto ódio, Telminho.
É... nem tô tão raivoso assim. É só pra brincar. Outro problema com o Facebook é que, por mais que tu não ligue pra isso, tu vai ficar cuidando se as pessoas "curtem", ou QUEM curtiu, as coisas que tu posta lá. Poxa... fala sério... é muito besta isso. Eu me acho meio egocêntrico com este blog, mas pelo menos posso dizer que tô aqui no meu canto, sem incomodar ninguém. Quem quiser que venha dar uma olhada. Tem um contador de visitas ali do lado, sei que não recebo muitas... e pra mim tá bom. Faço isso aqui por mim apenas. Ou melhor, claro que quero salvar o mundo, claro que me acho a coisa mais próxima de Jesus Cristo que eu já conheci (o cara dizer uma coisa destas já mostra o quão longe está de ser um Cristo... rs), mas não forço a barra. Acho o Facebook uma exposição grande demais, mas principalmente um mergulho corajoso (ou temerário, o que é quase a mesma coisa) demais no mundão de estúpidos lá fora.
Pra que que eu tô falando isso mesmo?
Tô só desopilando. Estes desenhos que tô fazendo são foda. Dois dias desta semana acordei às 5h da matina pra poder dar conta do trabalho no prazo. E eu sou o cara que é contra o trabalho, né? Foda que esta semana nem sequer pude trabalhar lá no Tutti. Tava indo direitinho, todas as terças... agora acho que o Guilherme vai me mandar passear. Foda... mas tá, azar... não comi ninguém também. Caraleo... sempre achei que trabalhar num bar era meio caminho andado pra conseguir algo com a mulherada. Doce ilusão!

Agora a notícia boa. Se eu receber direitinho por estes desenhos que estou fazendo, vou comprar o material pra montar um estudiozinho fotográfico. J. R. Duran... teus dias estão contados!

Let's go...

domingo, 4 de maio de 2014

Parabéns, mãe!

Minha mãe fez 66 anos no domingo, 4 de maio. Fiz umas fotos no dia. No clic aí de cima estão meus pais, minha filha e meus três sobrinhos. Minha mãe parece feliz e eu fico feliz por ela.
Vejam só... uma família!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Morte ao deus Trabalho

Pra mim sempre rolou uma confusão: 1º de maio é o dia do trabalho ou do trabalhador? Acho que devia ser do trabalhador, porque dia do trabalho são quase todos os outros.
A propósito, você sabe a origem da palavra "trabalho"? Dê uma olhada neste link.
Eu tenho um discurso contra o trabalho, não é novidade. Sou amparado (além da minha capacidade de RACIOCINAR) por uma vasta literatura. Procure por:
Manifesto Contra o Trabalho - Grupo Krisis
Elogio ao Ócio - Bertrand Russell
O Trabalho Enlouquece? - Vários Autores (ed. Vozes)
A Loucura do Trabalho - Christophe Dejours
E por aí vai...
Alguns chegados meus adoram me chamar de vagabundo. Eles falam brincando (espero), porque sabem que já trabalhei muito. Tinha 15 anos quando assinei minha carteira pela primeira vez, mas mesmo antes já trabalhava em coisas informais (vender picolé, lavar carro, capinar pátio - lembro ainda hoje a vez em que limpei o chão de um boteco em troca de um gibi meio raro). Fiquei 6 anos no meu primeiro emprego e curti (no início a gente acha tudo legal), mas depois disso nunca consegui aguentar mais que 3 anos em qualquer lugar, e muito raramente curti de novo. Escolhi (na verdade caí nisso) a área de comunicação e fiquei pipocando nos muitos lugares onde ela é praticada: jornais, revistas, agências de publicidade e as famigeradas gráficas. Bah, dá um cansaço só de lembrar os trabalhos que já tive que fazer e os lugares horríveis onde fui parar. Tenho quase 30 anos de trabalho nas costas e talvez nem 15 de carteira assinada. Trabalhei (como muita gente neste país) sem "vínculo empregatício". Me fudi.
Abri uma pequena empresa em 96, uma época em que as pequenas empresas (e também algumas não tão pequenas) estavam quebrando bonito. Fechei as portas em menos de um ano, mas acho que aprendi uma lição para além do universo do empreendedorismo com aquela falência. Me tornei um sujeito muito mais humano e desapegado. Desde aqueles meus longínquos 25 anos que sigo fiel à decisão de não usar cartões de crédito, talões de cheque ou qualquer outra destas "modernidades" que mantém a galera mergulhada num atoleiro de dívidas eternas. Foi mais ou menos por esta época que voltei a ler livros e deixei de comer carne pra valer. E lá se vão 18 anos.
Mas quanto ao trabalho... Eu adoro ficar em casa fazendo só o que me dá na telha. Toco meu violão, desenho um pouco, baixo um filme, olho um pornô, leio um livro ou uma revista em quadrinhos, saio pro parque pra me exercitar um pouco, escuto um disco, enfim, gasto meu tempo COMIGO. Isso me parece um direito essencial. Dentre muitos outros que deveriam ser garantidos (moradia de graça, por exemplo). Mas nunca deixei de trabalhar. E não me refiro apenas ao trabalho como necessidade financeira, falo do trabalho como atividade física e mental. Não sou um vadio (mas também não emito juízos morais sobre isso - apenas acho que ninguém tem obrigação de sustentar ninguém: o cara quer levar a vida largada, então que se garanta de alguma maneira). Não consigo ficar parado. Muita gente ficaria surpresa se descobrisse que, inclusive, gosto da ideia de trabalho. Gosto mesmo. No mundo ideal que vislumbro, as pessoas trabalham felizes porque fazem aquilo que são a fim de fazer. E não são trabalhos estúpidos, não são atividades idiotas criadas pra movimentar a máquina da grana, uma grana que vai parar generosa na mão dos donos do mundo e pingadinha (apenas o suficiente pra sobreviver) na mão dos trabalhadores.
ESTA é a minha bronca com o trabalho. Do jeito que vivemos esta merda hoje, ela nada mais é do que ferramenta de controle e dominação. Já usei esta figura num conto que publiquei aqui no blog: o mundo é como se fosse uma plantação de pessoas, tem gente poderosa consumindo pessoas, as pessoas são criadas (vão do nascimento à morte) apenas para fazer uma engrenagem funcionar, e esta engrenagem funciona para que uns poucos filhos da puta neste planeta mantenham o seu altíssimo padrão de vida. Castas, nada mais que isso.
Eu vejo claramente que as pessoas estão doentes. O trabalho (entre outras coisas) faz com que adoeçam. A narcose, o vício do trabalho. Elas ficam doentes com ele, mas não conseguem viver SEM ele. Um sujeito desempregado é um potencial deprimido, porque não sabe o que fazer da vida. Claro, nunca saiu do esquemão. O cara não tem estrutura pra nada, ele precisa, além da grana, da FUGA do trabalho. E aí tudo vai ficando meio nublado, embotado. O sujeito desempenha uma função medíocre qualquer e provavelmente não questiona qual é a importância daquele trabalho pro mundo. Falo de importância REAL. Tá cheio de profissões, empresas, serviços e produtos no mundo que simplesmente NÃO PRECISAVAM EXISTIR. No bacanal capitalista que a gente vive, é preciso estar sempre inventando alguma coisa pra fazer a roda girar. E claro, a reboque disso, vêm os produtos sem qualidade (porque é preciso comprar de novo, e logo), os serviços deficientes, os serviços para dar assistência aos serviços (novas realidades jurídicas, constitucionais, financeiras, etc) e mais um monte de coisas que começam devagar e, quando você vê, já não pode viver sem elas.
Uma vez um amigo jornalista me disse: hoje, no mundo, existem muito mais soluções do que problemas. O que falta é interesse em mostrar isso. O cara sabia o que tava falando. Existe também mais comida do que gente com fome, mas a comida apodrece e vai fora, não pro esfaimado. E existe também a possibilidade de se viver sem o trabalho como um cabresto, como uma condição sine qua non pra ESTAR neste mundo. O problema é que tá todo mundo tão imerso na loucura, que ninguém PENSA. Pra muita gente essa minha conversa é um absurdo.
Pra mim, o absurdo é abrir mão de uma existência mais saudável pra ser uma peça numa engrenagem. É não tentar enxergar a conformação desta engrenagem, como ela funciona, qual é a finalidade dela.

Bando de macacos...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

All Star azul

Vou mudar o banner deste blog qualquer hora destas, mas até lá, um esclarecimento: essa imagem aí de cima não é uma referência à música do All Star azul do Nando Reis. Eu não gosto de Nando Reis. Antes seria, então, uma referência ao All Star azul da música "A Saudade e o All Star", da banda Superguidis. Aí sim! Acho esta música muito massa. Mas tô desconfiado que nem os caras da banda gostam muito dela, pois foi impossível achar um videozinho na internet. Buenas, continuo achando boa. Se você puder, escute (esta e outras) qualquer hora.

Meu velho companheiro 
de caminhadas ao luar
Pensando abobrinhas, 

pensando idiotices sem nexo
Adeus, all star azul...

adeus, all star azul tamanho 41!
Mudamos tanto eu e você 

durante esse último ano...
Você vai para o lixo, 

e eu vou chorar na despedida...
Adeus, all star azul...

adeus, all star azul tamanho 41!

Rabiscos


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Fotógrafo (risadas)

Comprei uma câmera fotográfica. Ia dizer que era um sonho de consumo, mas não se trata apenas de consumo, trata-se de gostar de fotografia. Nada muito cabeça, claro. Não sou da turma dos adoradores de Cartier-Bresson, Robert Capa, Sebastião Salgado... esses nomes de peso da 8ª arte. Sou um sujeito péssimo que teve uma formação (meia-boca) publicitária, então acabei curtindo a fotografia de estúdio. É o que quero fazer. Se tudo der certo, quero ter um banco de imagens diversas, clics que se prestem para várias coisas. Nada mais que planos por enquanto, mesmo porque minha câmera é relativamente simples, uma Nikon D3000, considerada um "modelo de entrada". Lente, por enquanto, apenas a que veio com a câmera (18-55mm). É tudo muito caro neste universo. No Brasil, então, é ainda mais caro do que nos outros lugares. É como informou um site (dos muitos que ando acessando pra aprender fotografia): câmeras de entrada no Brasil são como carros populares, acessíveis apenas no nome, porque nem mesmo os modelos simples são baratos. É foda!
Mas tudo bem, vou comprando tudo aos poucos. Se a coisa der certo, ainda quero noticiar que comprei uma Nikon D7100 ou similar.
Acima uns registros de fotógrafo amador. Sou tão manco ainda que só me arrisco a usar a câmera no automático. Minha filha (modelo/cobaia) vai me ajudar na empreitada. Vamos ver se saem novos e melhores clics no futuro.

domingo, 20 de abril de 2014

Eu e Mel, Mel e eu...


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Post de bêbado

Caralho! Morreu o García Márquez.
Deus, tu tá levando embora todo mundo, porra! Daqui a pouco o meu universo de significação vai ficar vazio.
Brincadeira! Meu universo de significação é atemporal. Dostoievski, por exemplo (que eu não esqueci), é mais presente que o velho colombiano (e Deus é só figura de retórica, certo?). Mas eu gostava do "Gabo". Li "Cem Anos de Solidão" duas vezes (com um intervalo de 17 anos) e me deleitei em ambas. Li também "Memorias de Mis Putas Tristes" e achei sensacional.
A gente transita pelo mundo de maneira desconfortável. Sempre tentando vencer algo. Eu, nos últimos tempos, tento vencer o tédio (mais do que outras coisas, que não são poucas). Esses caras (escritores, quadrinistas, cineastas, etc) têm me ajudado na empreitada, e o Gabriel foi responsável por muitas horas da minha existência meio sem graça que deixei em suspenso, momentos em fui pra outro mundo. Isso não é pouco. Sei que foi assim pra mim e deve ter sido pra um monte de gente.
Mas claro, que não é só isso. Esses caras colocam um tijolinho a mais na "yellow brick road" das nossas vidas rumo ao... ao... ao... ao que, mesmo? Você não sabe, né? Nem eu. Mas a gente sabe que estes caras nos ajudam, de alguma forma. A arte é um lenitivo. Talvez seja até mais que isso. Eu é que ando meio amargo. E, neste momento, meio bêbado.

Estou Triste

Estou triste tão triste
Estou muito triste
Por que será que existe o que quer que seja?
O meu lábio não diz, o meu gesto não faz
Sinto o peito vazio
E ainda assim farto
Estou triste tão triste
E o lugar mais frio do Rio
É o meu quarto.

Quem diria! Caetano Veloso experimentando um pouco de melancolia. É quase um gaúcho... rs.
Música do disco Abraçaço.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Calvin & Hobbes

Sou o legítimo punheteiro do desenho. Em vez de pensar em fazer algo que me dê dinheiro, fico aqui rabiscando as coisas "que tenho vontade" de desenhar. Aziras...
O Bill Watterson deixou uma galera saudosa da genial dupla Calvin & Hobbes quando parou com os quadrinhos. Na internet tem uma cacetada de desenhos (de fãs, suponho) retratando Calvin e Hobbes depois de passados alguns anos. Alguns são muito bons. Decidi fazer também o meu. Por enquanto segue o traço apenas. Se conseguir terminá-lo, publico no futuro.


Uns rabiscos


sábado, 12 de abril de 2014

Um bom filme

Assisti ontem o filme “Her”, do Spike Jonze. A história de um cara (Joaquin Phoenix) que se apaixona por um sistema operacional, uma inteligência artificial que evolui a partir da experiência com o usuário e se manifesta exclusivamente através do som (a voz é da Scarlett Johansson, e creiam, isso ajudaria até aos mais críticos se apaixonarem por uma “máquina”). Achei o filme muito foda (“muito foda” é o meu jeito de dizer “bonito” sem parecer meio gay). Gostaria de comentar sobre a coisa, então já aviso que não tem como fazer isso bem sem contar o final (“spoilers”).  Na verdade, não vejo grande mal em saber o fim de uma história de antemão. Quando li Madame Bovary e Os Irmãos Karamázov, passei antes pelos geniais prefácios do Otto Maria Carpeaux e isso em nada diminuiu a fruição do texto. Pelo contrário, apurou o meu olhar para certas sutilezas que de outro modo passariam batidas. Buenas, guardadas as devidas proporções (Maria Carpeaux, gigante - Mario Telmo, liliputiano), segue minha opinião de cinéfilo meia-boca.
Inicialmente, parece que o mote do filme é o mesmo daquele do cara que se apaixonou por uma boneca de silicone, “A Garota Ideal”. Você conhece, né? Uma fábula moderna onde uma cidade inteira vive a projeção de um sujeito para ajudá-lo - numa espécie de terapia altruísta - a sair da fantasia (é legal, vale a pena ser visto).
Mas depois de algum tempo a gente percebe que o dilema em “Her” é outro. Algo parecido com o que já se viu em Blade Runner, em Inteligência Artificial (aquele do gurizinho) e na última versão da série Battlestar Galactica (que ameaçou explorar bem o assunto mas que depois - até onde vi - meio que perdeu a mão), entre outros:  se apaixonar por uma máquina? A questão moral/filosófica é praticamente a mesma, mas este filme do Spike Jonze se diferencia dos demais. Não se trata de atração por uma boneca (um ser inanimado), mas também sequer se trata de paixão por algo corpóreo. O personagem principal se envolve com uma voz. O máximo que se pode conceder em termos de materialidade é que o cara começou a gostar de um chip.
Nos outros filmes, os clones de seres humanos (replicantes no Blade Runner, Cylons no Galactica, etc) são retratados como criaturas superiores ao homem, porque além de serem fisicamente mais resistentes e ágeis, são capazes de aprender através da observação e análise e se auto-replicar. Imagino que a premissa aí é de que eles podem realizar cada vez mais atividades neuronais, sinapses ou sei lá que outros nomes se dá pra esse negócio de usar o cérebro mais e melhor. Então, se as criaturas constroem cérebros cada vez mais complexos, é previsível que em dado momento se tornarão mais inteligentes que os seus criadores (que também têm cérebros complexos, mas não desenvolvem). Na minha opiniãozinha o que sempre faltou nesses filmes é uma explicação mais aprofundada (uma tentativa de), sobre o momento em que uma programação (ou algo que o valha) vira consciência. Seria o equivalente a dizer o momento em que uma máquina adquire alma. Isso é dado de barato ou fica em suspenso e geralmente é essa incerteza que sustenta esses filmes, que mantém a tensão. Tudo bem, os filmes não deixam de ser interessantes, mas também ficam muitos buracos na trama. Destrinchar isso levaria muito tempo e seria necessário escrever um livro, mas resumindo dá pra dizer que é muito antropocêntrico (e bobo) quando nos filmes os clones de gente desenvolvem sentimentos humanos. Eles odeiam, ficam tristes, choram e, principalmente, se apaixonam pelos criadores. Quem bola estas histórias, parte do pressuposto (imagino) de que a evolução de uma inteligência artificial passa, necessariamente, pela apreensão e desenvolvimento de características psicológicas humanas. Mas as características psicológicas humanas são fruto de uma infinidade de causas (sociais, culturais, antropológicas, alimentares, climáticas, etc, etc) a que uma máquina, presumivelmente, não está sujeita. Uma máquina analisaria, cruzaria milhões de informações num milésimo de segundo e, amparada em alguns critérios, obteria uma resposta, uma indicação que não conduzisse a um novo erro, esse negócio tão familiar aos humanos.
Mas aí está uma boa questão: quais seriam estes critérios? É muito difícil falar sobre essas coisas, porque nós, homens, não podemos viver sem o erro. A Ciência diz isso. Portanto, falar de uma inteligência evoluída, uma que não incidisse em erros (ou que pelo menos não incidisse nos mesmos erros que nós) é falar de uma coisa que não conhecemos, ou seja, como não temos parâmetros, só podemos fazer um exercício de imaginação. Tudo bem, isso vale. O Einstein não dizia que a imaginação vale mais que o conhecimento? O problema é que existem imaginações boas e outras nem tanto. Em geral é nem tanto.
É muito mais legal quando os filmes não reduzem as inteligências artificiais a simples arremedos de seres humanos, e sim deixam a coisa no terreno do insondável, como fez o Kubrick em 2001, Uma Odisseia no Espaço. É mais honesto também. E é neste aspecto que o filme “Her” se destaca. Embora mantenha o clichê da máquina apaixonada pelo humano, faz isso com uma certa ambiguidade e mostra, no final, a máquina transcendendo a condição humana, abandonando o homem porque as suas (da máquina) investigações sobre o mundo tornaram inviável a coexistência. É triste e bonito. É instigante, faz pensar.
Nenhuma comparação com o filme do Kubrick, claro. São coisas completamente diferentes. O “Her” é mais palatável, mais pra consumo rápido. Pode ser visto como uma crítica ao processo de individualização que as pessoas estão vivendo. Em dado momento do filme, a “namorada” do protagonista revela que está “envolvida” com milhares de outros usuários e que, por 641 deles, está apaixonada. O sujeito começa a observar as pessoas ao redor, todas falando sozinhas e rindo, todas com um dispositivo auricular, vivendo seus romances virtuais. Isso vai um pouco além, mas não é tão diferente do que se vê hoje. Eu vejo com um misto de desprezo e curiosidade todas essas pessoas fuçando o tempo todo nos seus celulares, tablets e sei lá mais o que. É doido. Estamos vivendo um momento muito estranho. No início me dava ao trabalho de contar quantas pessoas, no trem, ficavam futricando nos seus aparelhinhos, depois deixei de lado pois se tornou corriqueiro. Isso deve ter alguma coisa a ver com evolução, é só o que consigo pensar. A gente vai acabar numa Matrix mesmo, não vai? Pensar nisso angustia, mas não dá pra deixar de fazê-lo. Filmes como “Her” talvez sejam visionários, talvez estejam apenas antecipando um negócio que logo chegará.
Foda!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Luiz Tatit

Tenho baixado muitas músicas, muitos filmes e muitos quadrinhos. Os filmes e quadrinhos vou guardando para dias vindouros, mas as músicas baixo e já ouço. A música brasileira deve ser mesmo a mais foda do mundo. Porra, como tem coisa! Aproveitei que minha internet agora é boa e fui ouvindo todos aqueles nomes que eu conhecia de “ouvir falar”. Alguns são sensacionais, outros nem tanto e outros ainda bem fraquinhos mesmo. Tá cheio de neguinho conceituado na nossa MPB que não passa de um belo embuste: a musicalidade é legal, mas o discurso é uma merda. Não adianta, se o cara não tem inteligência, leituras e/ou vivências, não tem o que dizer. Mas claro, música é uma coisa tão difícil de categorizar que até alguns textos vazios se tornam agradáveis de ser ouvidos.
Dentre os muitos artistas que conheci mais a fundo, o que mais gostei foi o Luiz Tatit. É um professor de Linguística da USP que foi um dos criadores do Grupo Rumo, lá por meados da década de 70. Esse Rumo, junto com Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Premeditando o Breque e outros, fez parte do que ficou conhecida como a Vanguarda Paulista.  Ou seja, um cara com uma longa história e o desinformado aqui só foi conhecê-lo agora. Bom, isso não é de todo verdade. Há alguns anos (uns dez, eu acho), uma cantora aqui de Porto Alegre – a Adriana Deffenti – gravou a música “Capitu”, uma composição do Tatit. Eu ouvi e achei sensacional, mas não fui além daquilo. Não lembro o que me levou, recentemente, a buscar o cara na internet. O fato é que gostei muito. Aí fui catando tudo o que achava do artista: músicas, entrevistas, referências literárias (ele escreve sobre música), parcerias, etc. No encarte do CD "Com Defeito de Fabricação", obra genialíssima do Tom Zé, tá lá escrito: "dedicado a Luiz Tatit, por sua música". Acha que isso é pouca coisa, meu amigo?
Tipo sensacional esse Luiz Tatit. Vozinha calma, barbudo, cabeludo, óculos... Eu penso num Chico Buarque mais lúdico, mas também mais professoral. Letras muito bem elaboradas, uma musicalidade... como dizer? Fora do convencional? Acho que sim. O jeito de cantar é quase que uma fala, coloquial. E no entanto tem momentos que são verdadeiros achados melódicos. Aliás, esse negócio da fala – das alternâncias e ênfases da fala – é (se eu entendi bem a história) um objeto de estudo do Tatit. Esta entrevista é longa, mas vale a pena ser assistida do início ao fim, pois é uma verdadeira aula sobre origens da música brasileira, entre outras coisas.

Fiz abaixo uma seleção de algumas das músicas que mais gosto do simpático (queria ter colocado mais duas: Final Feliz e Quase, mas não achei vídeos dessas). 
Ouçam aí, gente. Vale a pena.


Homem de criação (rá, rá, rá)

Fiz este desenho/montagem aí de cima pra capa de uma revista que diagramei e bolei projeto gráfico. Tinha ficado legalzinho (o projeto gráfico) até a assessoria de imprensa do cliente transformar minha ideia num Frankenstein. Buenas, ossos do ofício. A revista entrou em gráfica hoje e finalmente posso respirar um pouco. Até eu organizar as coisas, fica esse passo a passo da imagem, as etapas de esboço, Corel, Photoshop e Photoshop de novo. Achei a ideia muito boa, modéstia à parte. O tema da revista é "negócios ambientais", então pensei numa figura que sintetizasse isso. Gosto mais da coisa limpa (passo 3) do que da montagem final (passo 4), mas foda-se o que eu gosto, o lance é ganhar uns pilas pra poder me dedicar aos projetos pessoais.

I'll be back.

domingo, 2 de março de 2014

Músico (rá, rá, rá...)

Voltei meio devagar com o blog, eu sei. Ainda não tô convicto de que realmente quero fazer isso. Alguém aí, do outro lado desse negócio, se sente assim também? Sem certezas. Porra, eu não tenho certeza de nada. Fiz até uma música sobre isso (um dia será ouvida, por enquanto vai só a letra):

Saiba que eu de nada sei
Além de mim e ainda assim
Bem pouco
Já faz tempo eu desisti
De ir a fundo, explicar o mundo...
Tá louco!
Mas minha namorada infelizmente
Não pensa assim e além de mim
Quer tudo
Ela não consegue entender
Essa minha atitude
Ela quer que eu mude
Eu não mudo
Eu não mudo
Saiba que eu nada vou fazer
Está bom pra mim, aceito a vida assim
Assim aos poucos
Já faz tempo eu percebi
Que lá no fundo, quase todo mundo
Tá louco
Mas também eu posso estar maluco
Pode ser que sim, já disse que de mim
Não sei tudo
Eu não tenho certeza de nada
E até que isso mude
Não tomo atitudes
Fico mudo
Fico mudo.

É bem legalzinha, creiam. Tenho, além desta, mais cinco músicas prontas. Também quatro instrumentaizinhas que, dando uma guaribada, podem ficar bem interessantes. Aliás, gostaria de encontrar um produtor/arranjador que pegasse a minha "voz e violão" e transformasse numa coisa profissional. Tô longe de ser um Bob Dylan, então preciso de ajuda.
Olhem esta outra, se chama "Manifesto Contra o Trabalho", um dos meus temas mais caros:

Acordar
Bem cedo todo dia
E ir para o trabalho
Não é o que eu queria
Não é isto que eu valho
Cadê minha alegria?
Troquei por um salário
Eeeeeeeeeeeeeuuuuu
Peguei e troquei por um salário
(mas que otário!)
Estudar
Pra ser alguém na vida
E ter um bom emprego
Que lógica sofrida
Que presente de grego
Mentiram na partida
Eu corro e nunca chego
Eeeeeeeeeeeeuuuuuu
Eu corro, corro e nunca chego
(trabalha, nêgo!)
E ainda outro dia eles vieram me dizer:
Que feliz que é você
Que trabalha todo o dia
O trabalho é uma alegria
O trabalho enobrece
Então vê se não se esquece
Ignora esta tristeza
Só tem boia na mesa
Quem vive pro trabalho
Ai, que bom ter um salário!
Ai, que bom ter um salário!
Ai, que bom ter um salário!
Ai, que bom...
Que bom enriquecer o meu patrão!
Ai, que bom!
Aceitar essas migalhas que me dão!
Ai, que bom!
Esse novo tipo de escravidão!
Ai, que bom!
No fim do mês pagar a prestação!
Ai, que bom!
Se lá em casa tem televisão!
Ai, que bom!
Viver a minha vida sem razão!
Ai, que bom!
Nunca, nunca, nunca dizer "não"!
Ai, aiaiai, ai ai, que bom!

Esta ainda vai ser o hino de uma legião de revoltados, esperem e verão! E é isso. Telminho músico. Tenho uma outra que fiz com uma batidinha de bossa-nova. Ficou tããããoooo bonita. É pena que ninguém acredite em mim como músico. Nem eu, geralmente. Meu amigo Jeferson, o quase-secretário de cultura do Estado resgatou todas as músicas antigas dele (do tempo em que éramos jovens e impetuosos lá em Canoas e quando era fácil achar os amigos tocando uma viola nas esquinas do centro) e fez umas releituras. Chamou gente de peso pro baixo/bateria/guitarra e deixou a coisa bem bacana. Espero que dê certo pra ele.
O que mais? Putz... tantas coisas.
Acho que vou pedir demissão. Não contei que estou trabalhando como diagramador (a atividade mais CHATA do mundo) numa revista de pecuária (uma das coisas que mais deterioram o planeta), né? Pois é, estou. Há sete meses. Desde que voltei da praia. E sou um frila-fixo, ou seja, nada de seguro-desemprego, fundo de garantia, férias, décimo-terceiro, etc. Poderia dizer que tem um lado bom: não cumpro horário e trabalho apenas duas semanas por mês. Mas não é bem assim. Nessas duas semanas faço, em ritmo alucinado, o trabalho do mês inteiro. Preferiria fazer a coisa mais na boa, mais calmamente. Na verdade preferiria não fazer porra nenhuma. Eu, vegetariano há 17 anos, vendendo minha alma numa revista de pecuária. É foda! Vou sair, apesar de ter uma mulherada sensacional lá. E amigos também.
Como vou pagar o aluguel? Como vou pagar a pensão da Melissa? Como vou pagar a internet? E a comida? NÃO SEI. AAAAAAAHHHHHHHHHHHHH, vida desgraçada... a gente tem mesmo que estar sempre se submetendo a coisas que não gosta? Ai, que bom... viver a minha vida sem razão! Buenas, sete meses são um tempo bastante longo. Já deu pra mostrar que eu encaro as pedreiras... mas preciso ser coerente com o que acredito. Se eu acredito em passar fome? Pois é... talvez devesse começar a pensar nisso.
E ontem aconteceu uma coisa SENSACIONAL na minha vida de poucos eventos sensacionais: encontrei, num dos sebos que frequento, o livro "Breves Entrevistas com Homens Hediondos", do David Foster Wallace. MORRAM de inveja, caros amigos. Este livro está esgotado há um tempão. Muito procurei por ele, mas não tinha em lugar algum. E sabem o que é melhor? Paguei apenas 35 pilas. Esse sebo onde achei o livro é um dos que antigamente vendiam verdadeiras joias por um preço baixíssimo. Isso durou até o dia (o maldito dia) em que eles também descobriram a Estante Virtual. Agora eles fazem uma consulta de preços antes de botar os livros na prateleira. Mas vejam só... o David Foster estava esgotado. Não tinha na Estante, não tinha na Saraiva, não tinha na Cultura... em lugar nenhum. Então não deu pra saber o valor. Tacaram lá: 35 pilas. Buenas, se eu ainda quiser vendê-lo depois de ler (coisa que eu já devia estar fazendo, mas estou adiando o prazer o máximo possível), não contem com um valor inferior a 150 reais. Meus amigos que me chamam de capitalista (picareta de livros seria mais indicado) se revoltam quando conto essas coisas, mas vejam bem: eu podia (mentira, não podia) estar vendendo carros, podia (mentira, não podia) estar vendendo planos de saúde, podia (mentira, não podia) estar vendendo assinaturas, podia estar vendendo qualquer destas coisas idiotas que só servem pra tornar a vida mais odiosa, mas não, estou vendendo LIVROS, essa coisa nobre, então, pelo menos nesse caso, vou acatar as famigeradas leis de mercado e repassar o meu produto pelo valor que esta lei de mercado diz que ele tem (mesmo porque sou um fodido). Vendi um Palahniuk também esgotado (Assombro, o livro que causa desmaios nos leitores - e que eu li, mas não desmaiei) por 140 pilas, e nem tava não bem conservado quanto este do Wallace. Aliás, vejam só que coisa interessante: Palahniuk e Foster Wallace nasceram no mesmo ano e fazem aniversário no mesmo dia, 21 de fevereiro. Ou melhor, faziam aniversário no mesmo dia, porque o nosso amigo David se enforcou em 12 de setembro de 2008. Dizem que o cara era muito foda. Depois eu conto se é mesmo. Os que não quiserem esperar (ou não quiserem pagar os 180 - já aumentei - pilas que vou cobrar, podem comprar um outro dele, bem mais fácil de achar por aí: Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo. Uma média de 40 pilas.
Livros... pôxa, eu andei lendo tantas coisas. Mas não tenho saco de comentar. Esse do Palahniuk, por exemplo... é uma porrada. Imagine as situações mais absurdas, as cenas mais atrozes, as coisas mais cruéis e chocantes e ainda assim o livro supera qualquer expectativa. Esse Palahniuk é um doente, cara, sério! Pegue um sujeito de gênio (no sentido de genial, por favor) e largue ele nos Estados Unidos. Imagine alguém com talento esmiuçando o que o "american way life" tem de pior. Esse cara é o Palahniuk. Já li três livros dele, dois romances (nenhum é o Clube da Luta) e um de crônicas. Prefiro o de crônicas, mas bah, os romances são punks, leituras pra quem tem estômago. Só pra se ter uma ideia dos temas sobre os quais o bonitão se debruça, um livro dele se chama Snuff (cê sabe o que que é, né?). Também li outras coisas, menos fortes, mas ainda assim, fortes: Trainspotting (aí aproveitei pra rever o filme) - Irvine Welsh; A Morte de Bunny Munro - Nick Cave; Fique Quieta, Por Favor - Raymond Carver; O Mágico de Lublin, Isaac B. Singer; Sexo - André Sant'Anna; Entre Quatro Paredes, Sartre; Diário da Queda - Michel Laub; Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera; As Façanhas de Um Jovem Don Juan, Apollinaire, Passageiro do Fim do Dia, Rubens Figueiredo; Cães Heróis, Mario Bellatin e vários outros. Durante a leitura de muitos destes livros me dava vontade de parar e ir correndo pro computador, ressuscitar o meu blog e contar a coisa genial que eu tava desfrutando. Se a gente não escreve na hora, depois passa o ímpeto. Agora, por exemplo, já passou.
Meus ímpetos andam passando cada vez mais rápido. Será que estou perdendo a capacidade de me apaixonar? Desde que voltei da praia me envolvi com duas gurias. Coincidentemente, duas capricornianas - mulheres complicadas, pelamordedeus! Não saberia dizer por que não estou com nenhuma delas neste momento. Devo ter alguma parcela de culpa, não andei no melhor dos estados de espírito nos últimos tempos. Morei 5 meses com meus pais e um irmão com o qual não converso. Família é uma coisa que pesa, pesa muito. Invejo aqueles que têm uma boa relação com os seus, porque gosto e me preocupo com os meus, mas não consigo ficar muito tempo por perto. Também rompi com um camarada de longas datas. Conversamos quase que diariamente durante sei lá... 20 e poucos anos, e aí, de repente, paramos de conversar. Foi natural. Mais nada em comum, a perda daquilo que caracteriza uma amizade. Saio de vez em quando com um ou outro camarada, Rodrigo o mais frequente deles. Dia destes discutíamos se cachorros têm personalidade. Eu dizia que não e ele, apaixonado pelos dois akitas que tem, dizia que sim. Um pouco antes o puto tinha me dado um banho de cerveja. Leffe, uma cerveja belga tri boa, mas forte pra caramba. Ficou um cheirão na minha roupa (ou seja, bebam, não se banhem com ela). Também tenho trabalhado, nas terças à noite, no balcão do Tutti, o bar dos cartunistas. Começo às 7 e vou até 1h30min, 2h da manhã. Nestas semanas de fechamento da revista, foi cansativo, mas se ainda me quiserem no bar, largo a revista e não desisto do balcão. Além da mulherada linda que atrolha o lugar nas terças, encontro sempre um monte de amigos, então acho sensacional (mesmo tendo que gastar 20 - dos 80 pilas que recebo por noite - com o táxi pra casa).

Buenas... vou nessa. Quero aproveitar esse feriado de carnaval pra tocar umas coisas.
Ah... por caridade, comprem meu CD se um dia eu chegar a gravá-lo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Obrigado por tudo, Nico!

E agora há pouco saí da minha voluntária alienação do mundo, fui dar uma olhada nas notícias. Tava mesmo era procurando alguma explicação pra este calor infernal e querendo saber se a greve dos ônibus se resolve. O calor, que eu já tava achando que era resultado da degradação do ambiente e que, ceeeeerto, era o início do fim do mundo, na verdade já aconteceu na mesma intensidade há 98 anos (segundo documentos de algum instituto de meteorologia, provavelmente - um menino de 10 anos nesse fatídico verão de 1916 seria hoje um inverossímil velhinho com 108, será que ia lembrar do sufoco depois de tanto tempo?).
Vejam isso: http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/sensacao-de-calor-ultrapassa-os-50c-em-porto-alegre-confira-projecoes-74786.html
Sensação térmica de mais de 50ºC!!!! Então era por isso que ontem, quando eu fui a pé pro Centro (não tem ônibus, lembrem-se), achei que ia morrer. Pior que isso só mesmo o inverno que vem depois... Forno Alegre, Frio Grande do Sul... sinta na pele como é bom viver aqui!
Mas as notícias que acabei lendo foram outras. Porra, morreu há uns dias o Seymour Hoffman, heroína. Gostava desse cara. E hoje, agora há pouco, morreu o Nico Nicolaiewsky (leucemia). Enquanto escrevo isso, estou ouvindo o disco "Onde Está o Amor", trabalho solo do "maestro Pletskaya". É tão bonito, honesto, sem afetação. Quando eu fazia natação no Israelita, lá no Bom Fim, de vez em quando cruzava com Nicolaiewsky pelo vestiário. Morria de vontade de cumprimentá-lo pelas coisas legais que fazia, mas ficava com vergonha. Deveria ter feito. Reconhecimento é o mínimo que artistas - na melhor acepção da palavra - como o maestro merecem. Ouçam as músicas do disco e julguem por si mesmos.


E assim acabam as eternas apresentações de verão do Tangos & Tragédias.
Talvez eu não esteja errado, afinal de contas... talvez o mundo esteja mesmo acabando. O mundo tal qual eu conheço... Um mundo não muito grande, mas bonito muitas vezes.
Fica um outro vídeo, do Nico com o Gessinger (que é um cara de quem não gosto muito, mas a música é tri bonita e parece tão apropriada pra este clima - todos os climas - do momento).


A volta do que não foi...


Olá, camaradas. Pois é... voltei. Sete meses depois de ter dito que não ia mais perder tempo com blogs. Sete meses em que aconteceram muitas coisas. Algumas boas, outras bem desagradáveis. Escrevi um texto gigante pra colocar aqui (12.967 caracteres), mas depois de ler, reler, treler e mexer mil vezes no “maledeto”, desisti. Tenho umas pretensões grandes demais pro meu pouco estofo. Começo a escrever e vou tentando explicar o mundo, ou desenhá-lo como ele deveria ser, mas isso é muito foda... cada coisa que a gente diz tem uma ramificação, se desdobra em duas ou em várias outras. Aí o negócio vai virando um emaranhado do qual é difícil se desvencilhar. A gente não sai impune de nada e é preciso aceitar essa falibilidade. Putz... já tô tentando explicar como as coisas funcionam. Não me deem bola, eu sou um embuste (assumido, mas isso não redime embusteiro algum). Vou continuar falando mal das coisas que sempre falei (ou seja, de quase tudo), mas vou tentar fazer de maneira mais bem humorada. E é isso que se pode tirar daqui: sou um cara “cleaver”, de vez em quando apareço com uns achados bem bons, modéstia à parte. Minha retórica de bronco, de derrotista, de furibundo com o mundo e de pseudo-intelectual perplexo tem lá seus momentos aproveitáveis, risíveis no bom sentido. E vou escrever minhas ideias sem ficar me precavendo contra o risco (bastante grande) de algumas delas não valerem um saco de batatas podres. Isso aqui é um exercício, uma profilaxia mental e um dos usos que achei para os R$ 110,00 de internet que vou gastar todo mês (resquícios da minha infância pobre: se estou pagando, TENHO que usar).

Então é isso. Tamo aí de novo. É nóis, brô. Vamos ver o que que sai.

sábado, 20 de julho de 2013

Ops...

Caros poucos amigos que visitam este blog, obrigado pelo prestígio. Agora vou parar com as postagens. Acho que cheguei num limite. Tô com um monte de problemas pra resolver e sei que mesmo depois de resolvê-los não vou querer continuar com isso. Não sinto mais vontade de comentar minhas leituras e todo o resto. Me arrependo de algumas opiniões que externei. Mudei com relação a algumas coisas e sobre muitas outras me sinto incapaz de um posicionamento. O relativismo e o cientificismo - duas coisas das quais nunca gostei muito - estão cada vez mais se insinuando no meu espírito e até eu ter resolvido isso não quero abrir a boca pra nada.
Neste maldito inverno gaúcho, vou levando do jeito que dá. Neste maldito país que só onera seus cidadãos, vou tentando sobreviver com alguma dignidade e independência. Em meio à estupidez reinante, sigo perplexo. Reclamar não adianta, então chega. Vou nessa.

Tentem se dar bem, e se conseguirem, me digam como se faz.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Doa-se um cachorrão

Esse bonitão em três momentos aí em cima é o Capeto, minha atual dor de cabeça. Explico: dentre os muitos cachorros abandonados para os quais dou comida aqui na vizinhança, o Capeto foi o que resolvi adotar pra valer. Foi uma estupidez dupla. Explico de novo: na verdade pedi o Capeto "emprestado" para cruzar com uma cadela bonita que andava no cio e que tirei da rua pra não pegar cria dos guaipecas. A primeira estupidez foi quando o cara da vigilância, dono do cachorro, perguntou se eu não queria o bicho pra mim em vez de tê-lo apenas emprestado e eu aceitei (foi sem pensar... ou seja, estúpido). Mas tudo bem, eu tinha um belo cachorro pra cuidar da casa (embora nunca tenha sido necessário um). O Capeto se revelou um tipo simpaticão (com o perdão do trocadilho). Veio magro e esfomeado (os caras não davam muita comida pra ele), hoje está fortinho e continua esfomeado. É um cachorro búfalo, não sabe a força que tem. Com pessoas é manso, com outros cachorros - se resolvem peitá-lo - é uma praga. A mãe dele, disse o cara da vigilância, é uma pitt-bull. O pai deve ser o Batman, a julgar pelo tamanho das orelhas (e pela esperteza... o bicho sabe até abrir portas).
Buenas... a segunda estupidez foi eu ter adotado o cachorro sem ter certeza do meu futuro imediato. Explico de novo: assim... muito contra a vontade, depois de um ano vivendo com toda a tranquilidade que sempre desejei, vou ter que voltar à vidinha de assalariado. Vou ter de regressar a Porto Alegre (meu dinheiro acabou há tempos e a coisa tá pegando). Quando isso acontecer, muito provavelmente vou morar num apartamento pelo centro. Ou seja, sem chance de ter comigo um cachorro. Ainda mais um vagabundão acostumado a correr por Cidreira inteira. Acho que o simpático merece pelo menos um pátio.
Então esta postagem é pra pedir que alguém adote este bicho, por caridade. Ele tem  muita raça... pode ser um ótimo cão de guarda. De preferência em algum lugar amplo e agradável (uma chácara ou algo assim).
Quanto ao guaipeca Telmo, este volta com o rabo entre as pernas e a cabeça baixa.
É uma vida estranha essa de cachorro.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ganhando Meu Pão (Máximo Górki). Fazendo Meu Pão (Mario Guerreiro)

Não foi lá muito fácil, mas consegui assar minha primeira fornada de pão integral. Peguei umas receitas na internet e - literalmente - meti as mãos na massa. Os pães não cresceram muito, mas ainda assim ficaram sensacionais. O cheiro, quando tirei do forno ontem, era daqueles de fazer a gente flutuar como nos desenhos animados (rs). Aliás, é foda... não tem cheiro melhor do que o de um pão novo e um café feito na hora, fala a verdade.
As receitas da internet variam muito entre si. Ou seja, "existem mil maneiras de fazer um pão integral... invente a sua!". Essa minha levou farinha de trigo integral, farinha de trigo normal, açúcar mascavo, aveia, sementes de linhaça, leite em pó, fermento biológico, azeite, sal e água. Faltou o gérmen de trigo, que não encontrei no súper. Mesmo assim, a brincadeira custou 25 reais. Se contar a forma, 38. Se somasse o gás, o número crescia, mas comprei (no tempo em que ainda tinha dinheiro) um fogão a lenha de ferro (usado). Aliás foi isso o que me animou a tentar fazer o tal do pão. Aqui na praia o que mais tem é madeira jogada fora. Então nunca vai faltar lenha pra estas minhas experiências culinárias. Beleza, um gasto a menos.
Ainda não fiz o cálculo de quantos pães vou conseguir fazer com os ingredientes que comprei, mas tenho certeza de que só pelo sabor da coisa e pelo que ela tem de saudável já tá valendo a pena.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Como eu ia dizendo...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

O mundo acabou


Acho fantástica esta árvore aí de cima. O baobá. Segundo a Wikipédia, existem oito espécies no mundo, seis em Madagascar. No Brasil pode-se encontrar algumas variedades plantadas, principalmente em estados do nordeste. Uma, em Recife, teria inspirado um trecho do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. São árvores que podem viver de 3 a 6 mil anos, segundo alguns botânicos. Não há consenso da comunidade sobre isso, mas de qualquer jeito é uma árvore impressionante.
Foi lendo sobre os baobás que acabei me interessando por Madagascar. Ainda segundo a Wikipédia, é o lugar com uma das maiores biodiversidades de fauna e flora do planeta. Isso apesar de 90% do território ter sido desmatado. Sabe o que é isso? Noventa por cento? Lá na Wikipédia tem uma foto de satélite da ilha (a 4ª maior do mundo). É triste de se ver. Parece que um câncer foi comendo o lugar.

Estóico
Eu venho, pouco a pouco, me insensibilizando com estas coisas. Acho que é isso: o mundo acabou. Já faz algum tempo. Nós só estamos vivendo os estertores, como alguém bem disse. Em janeiro de 2009 postei aqui no blog este trecho de uma reportagem dum amigo jornalista:
"...em 23 de setembro de 2008, ocorreu o chamado Earth Overshoot Day , "o dia da ultrapassagem da Terra". Institutos que acompanham sistematicamente o estado da Terra anunciaram: a partir deste dia o consumo da humanidade ultrapassou em 40% a capacidade de suporte e regeneração do planeta. Traduzindo: estamos consumindo um planeta inteiro e mais 40% dele que não existe."
E por estes dias li num jornal aí que alguns cientistas e geólogos querem dar um novo nome para a época em que vivemos. Bem simples, acaba o holoceno e começa o antropoceno. Depois de 11.500 anos, uma nova época. E por que? Porque a atividade humana está conseguindo mudar a face do planeta numa proporção maior do que a dos fenômenos naturais que estabeleceram o início de outras épocas. Segundo estes estudiosos, o homem move mais pedras e sedimentos do que as forças da natureza, acelera processos de erosão e libera quantidades monumentais de nitrogênio. A área da terra hoje usada para agricultura é do tamanho da América do Sul. Já a pecuária ocupa o equivalente a um continente africano. Isso tudo mudou a dinâmica do planeta. O solo, as águas, o clima e a vida das espécies sofreram o impacto de toda esta atividade.

17 anos de vegetarianismo
Eu moro sozinho aqui na praia e tô levando uma vida bem simples. Construí uma composteira, comecei uma hortinha e comprei um fogão a lenha. Tenho planos de instalar uma cisterna. Apesar da vida pacata, produzo um pouco de lixo. O orgânico boto na composteira, o seco vou juntando até o meu pai vir e levar pra Canoas (aqui em Cidreira não tem coleta seletiva). Hoje em dia não penso mais, mas antigamente ficava angustiado imaginando as milhares de toneladas de lixo produzidas diariamente em cidades como Porto Alegre (por cujas calçadas imundas – antes dos contêineres - eu passava). E o esgoto? Nada agradável visualizar mentalmente o encanamento dos prédios e casas de uma cidade grande, repletos de cocô e indo desembocar no rio. Sim, tem o tratamento e tal, mas é bem nojento saber que bebemos uma água com uma quantidade “tolerável” de coliformes fecais.
Vou repetir uma frase do filme Matrix: o homem é um câncer no planeta. E tudo fica pior quando o vírus-homem adota o capitalismo (sei que parece anacrônico-panfletário-intempestivo-rançoso-dogmático-ingênuo-etc o uso dessa palavra... mas não tem outra... se não é isso, é o que então?). Aí o azeite do capitalismo – o consumismo – estimula os pequenos corpúsculos acelerando o processo de degradação do corpo hospedeiro - a boa e velha terra.
Não vou salvar o planeta com a minha hortinha e composteira. Mas sabe o que é pior? O Greenpeace, também não vai. Nem o Sea Shepherd. Nem a WWF. Ninguém vai. Acabou. Estertores, crazy people... estertores.
O homem, a humanidade, é um corpo só. Tem um Telmo aqui, um fulano ali, um sicrano acolá separando o lixo, não comendo carne (sobre isso, este artigo), andando de bicicleta e tal, mas o mundaréu de gente que forma o real corpo da humanidade, o corpo que faz a história, é autodestrutivo. As celulazinhas esfomeadas e irracionais vão comer o hospedeiro até não ter mais nada. Você pode até pensar: eu não vou deixar de comer carne, porque o problema não sou eu e sim a grande indústria e as concentrações humanas onde o consumo é desproporcional (como os EUA, que representam 5% da população mundial mas consomem 32% da produção do globo). Buenas, parece uma verdade. Uma verdade pra você e pra mais alguns bilhões de indivíduos no mundo. Bilhões de pessoas que não vão mudar seus hábitos porque acham que não são os causadores do problema. Mas se são bilhões consumindo o seu bifezinho todos os dias, faça o cálculo... Bem na boa, meu amigo carnívoro: tá na hora de assumir parte dessa culpa.

A literatura e o fim
Tô lendo um livro do Chuck Palahniuk (Assombro - famoso por causar desmaios nos leitores) e tem um trecho onde um personagem diz: “...adoramos doenças. Câncer. Adoramos terremotos... adoramos incêndios florestais, derramamentos de petróleo e assassinatos em série... Adoramos terroristas, sequestradores, ditadores e pedófilos... adoramos poluição. Chuva ácida. Aquecimento global. Fome”. Esses adoradores são o corpo único do qual eu falava. Não é difícil perceber uma coisa dessas. Enxergar que o homem busca irracionalmente o próprio extermínio. Eu vejo isso quando passo por um pátio de concessionária abarrotado de carros, quando vejo uma indústria gigantesca produzindo entretenimento inconsequente, que só vai intensificar os hábitos consumistas e destrutivos já existentes. Vejo isso quando assisto TV. Vejo nas revistas que não precisavam existir. Nos jornais que não sabem direito de que lado da humanidade estão. Vejo isso nos meus amigos fumando, nos meus amigos se enchendo de trabalho e de remédios. Vejo o fim quando, aparentemente, todo mundo projeta sua paixão numa coisa estúpida e perpetuadora de injustiças como o futebol. Vejo isso quando igrejas ganham fiéis aos roldões apesar da exploração descarada. Enfim, dá pra ver isso em cada pequena atitude - de quase todo mundo - que visa apenas a satisfação imediata de uma necessidade, não importando as consequências.
Mas como eu disse, venho me insensibilizando. Sou agora um espectador do fim. Já há algum tempo penso sobre isso de as coisas, numa determinada hora, acabarem. Aquele negócio de ficar lendo sobre tempo geológico e o tamanho do universo... buenas, tudo isso faz a gente mudar a perspectiva. Lembro de uma frase do filme Watchmen (criado a partir da sensacional HQ de Alan Moore): “a existência humana é um evento superestimado”. Talvez seja mesmo e talvez eu esteja me preocupando à toa com o que vai ser da humanidade. Foda-se a humanidade. Ou pelo menos foda-se a minha preocupação.
Quando alguns amigos estudantes de ciências sociais – os da antropologia, principalmente – vinham com aquela conversa da necessidade de preservar culturas, eu pensava com meus botões: mas se já disseram que no futuro só vai existir inglês, espanhol e mandarim... porque esses caras insistem? Depois, lendo algum artigo da Geográfica Universal ou da Superinteressante, eu pensava também: ah, que triste! Mais um bichinho em algum canto do planeta foi extinto... mas não deve ser tão grave, afinal a história do planeta terra já teve catástrofes naturais que acabaram, de uma tacada só, com muito mais espécies do que o homem conseguiu exterminar até agora. E assim eu fui chegando a esta pergunta: será que não vivemos realmente no melhor dos mundos possíveis (Leibniz/Voltaire)? Ou mesmo esta: será que esta pergunta é pertinente?

O escritor britânico Martin Amis escreveu uma história intitulada “O Zelador de Marte”. Faz parte do livro “Água Pesada e Outros Contos”. É sensacional. Faz muito tempo que li e já não lembro direito, mas aquele conto me fez pensar sobre muitas coisas. A história trata de uma comissão terrestre formada por alguns cientistas e outras personalidades, tripulantes de uma nave que vai a Marte a convite de um robô, que estaria lá há muitos anos esperando o momento certo para contatar a humanidade. Esse robô narra para os embasbacados terrestres a saga dos ex-habitantes do planeta vermelho. É uma história doida, cheia de elementos de ficção científica e informações astrofísicas. E muito engraçada também. Sugiro com veemência que seja lida (tenho o livro, se alguém quiser comprar). Entre as muitas coisas que me ficaram na lembrança, penso sempre num trecho onde o zelador de marte (o robô) compara a evolução marciana à terrena e diz “... enquanto isso, lá em cima, em Marte... ... Somos os senhores do nosso ambiente, nos livramos de todos os animais, dos oceanos e de tudo o mais, e das flutuações troposféricas a que vocês denominam clima”. Aí então penso se não é isso que tá acontecendo por aqui, se não vamos caminhando pra um futuro onde poderemos prescindir da natureza. Tem tanta coisa maluca acontecendo: cibernética, biotecnologia, nanotecnologia, genética, robótica, etc... Talvez o futuro seja mesmo um lugar sem árvores e todo o resto. Talvez seja um lugar pra uma nova forma de vida. Mas mesmo que seja assim, parece que existe um risco bem grande de acabarmos com tudo antes de chegar lá.

Olha as minhas preocupações!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Eu queria ser o Frank Miller


Página de uma HQ que eu tava querendo fazer. Desisti. Desisti, como sempre desisto. Achei o resultado muito ruim, muito aquém do efeito que eu buscava. Saco isso...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Que sarro...

O Hunter Thompson pode se revirar no túmulo, mas que isso é muito engraçado, é.

domingo, 26 de maio de 2013

Jamil Snege. Outra vez.


Há cinco anos, logo no início deste blog, escrevi um texto sobre o escritor curitibano Jamil Snege. Este. Agora, tanto tempo depois, começou uma procura pelos livros dele. Eu tinha 6 exemplares - de títulos diversos - à venda na Estante Virtual, e de repente, em menos de um mês, foram-se todos. E não foram baratos (claro, eu sei do meu produto... mesmo que ninguém conhecesse, eu sabia que aquilo era material de primeira). Fiquei intrigado com esse interesse súbito e fui ver se descobria o porquê na internet. A razão é simples: faz dez anos que o cara morreu. A imprensa tá fazendo um pequeno resgate. Nada de muito estardalhaço, mas ainda assim visível o suficiente para despertar a curiosidade em alguns leitores mais atentos. Estes - se conseguirem os livros - vão ter contato com um escritor sensacional que merecia ser muito mais conhecido, diga-se logo (é uma lástima, o homem sequer tá na Wikipedia). Merecia, mas é pouco provável que venha a ser. O Snege publicou poucos títulos e de pequenas tiragens. A reedição destas obras, parece, está entravada por uma questão judicial e pela vontade do próprio autor. Seus livros são agora artigos raros. Se eu não estivesse precisando TANTO de grana, não teria vendido os meus. Buenas, sigo me convertendo num filisteu*. Resta mentir que sou tão nobre de alma que precisava passar adiante aquelas maravilhas, uma vez que já tinha lido e que venho tentando concordar com quem diz que lugar de livro não é na estante. É, resta isso...

*Wikipedia: A palavra filisteu, no sentido não histórico, refere-se à pessoa deficiente na cultura das Artes liberais, um oponente intolerante do boêmio, quem exibe um código moral restritivo, desapreciador das ideias artísticas.
A partir do século XIX, na Europa, a palavra "filisteu" passou a designar pessoas de comportamento acovardado, que têm ojeriza por questões políticas maiores, não valorizam a arte, a beleza ou o conteúdo intelectual e satisfazem-se com o cotidiano da vida privada pacata e confortável. O filisteu não seria adepto de ideais, mas apenas de propostas práticas passíveis de serem contabilizadas em melhorias para sua vida privada imediata. "Filisteu da cultura" é um conceito criado pela intelligentsia alemã do séc. XIX e recebeu análise filosófica de Nietzsche em Primeira Consideração Intempestiva). 

terça-feira, 14 de maio de 2013

A vida pulsante das ruas

Tirando o visual extravagante de uns e outros, acho sensacionais esses caras. O que eles fazem. O primeiro vídeo é de Parkour, um negócio que consiste em fazer miséria pelas ruas das cidades. Foi criado na França. O segundo é de break dance (ou street dance, conforme preferem alguns). Um dia vai se descobrir que os caras que fazem isso na verdade são de uma raça alienígena que não possui articulações. Eles fingem que são humanos só pra deixar as pessoas constrangidas. E o último vídeo é de um lance chamado Workout (street workout, fitness workout, workout motivation, nomes diversos). Os mais legais que vi são os tchecos e ucranianos, mas tem de vários lugares. Também se pode ver alguma coisa disso - no YouTube - numas séries chamadas "People are Awesome", mas aí é uma mistureba, vai desde malabarismos criativos a demonstrações de mega atletas (potenciais suicidas) com os quais nunca dá pra conversar, porque os caras vivem, no mínimo, a 200 por hora.


domingo, 12 de maio de 2013

O tempo...

Ok, momento ego total (o quê??? mais do que vinha sendo até agora?!!!). É... mais. Se alguém se der ao trabalho de procurar, vai ver que a terceira postagem feita neste blog - lá em fevereiro de 2008 - intitula-se "a inexorabilidade do tempo". São imagens de uma família que se fotografa todos anos (desde mil novecentos e lá vai pedrada) e nas quais se pode perceber a juventude indo embora aos poucos (triste, né?). Eu tentei fazer algo parecido aí em cima, mas por mais narcisista que eu seja, não consegui juntar uma foto de cada ano. E claro, o narcisismo aí é completamente injustificado: um cara sem sobrancelhas, com orelhas de abano e cada vez mais careca (sem falar na pose, quase sempre a mesma, pra disfarçar o vertiginoso desvio de septo)... tsc, tsc, tsc.  Buenas, o ego é grande, admito, mas não se trata apenas disso. Trata-se de um gancho pra dissecar outros assuntos. A partir de mim, claro (o Protágoras já não dizia que o homem é a medida de todas as coisas? Então sente o silogismo: Telmo é homem, logo Telmo é a medida de todas as coisas (ah, meus tempos de filosofia!)). Na verdade a verdade mesmo é que estou meio que vivendo um pânico controlado (não é figura de linguagem, já tive crises de pânico - lá pelos meus 21 - e sei do que estou falando). Tá caindo a ficha de alguma coisa que eu ainda não consegui definir bem, mas acho dá pra simplificar dizendo que é a maldita crise dos 40 (deve ser isso... SÓ PODE SER ISSO).
Quando entrei na Filosofia, em 2005, era um cara de 33 que rapidamente se enturmou com a gurizadinha recém saída do 2º grau. Eles tinham 18, 19 e eram uma gente fantástica. Eu tinha quase o dobro da idade deles, mas isso não me incomodava. Me sentia jovem, jovem como eles. Mas agora, de repente, CABRUM!!!! caiu em cima de mim esse negócio: VELHO! Quando foi exatamente? Não sei. Comemorei meus 40 anos num barzinho da Cidade Baixa, cercado de bons amigos e me achando um cara até que inteirinho pra 40. Não fiz 42 ainda, como pode o meu astral ter mudado tão radicalmente em pouco mais de um ano? Porque estou me sentindo em fim de carreira? Será alguma coisa a ver com o fato de estar vivendo quase como um eremita aqui no litoral? O que me fez abrir os olhos de repente e começar a ver que todo o meu mundo envelheceu? As pessoas da TV, meus antigos amigos, meus antigos colegas de trabalho, as crianças da família, meus pais... Por que, de repente, me dei conta de que o tempo passou pra todo mundo? Por que antes não era assim? O que mudou? Alguém sabe de alguma teoria esotérica, alguma explicação baseada em física quântica, qualquer coisa, enfim, que responda POR QUE??? Tô aceitando de tudo pra acabar com esta angústia.
Uma vez alguém disse: jovens, envelheçam (eu poderia procurar isso no Google, mas tô com preguiça). Aí o Caetano Veloso (parece que foi ele) disse: velhos, rejuvenesçam. Claro, o Caê deve dividir comigo a opinião de que a juventude é coisa mais linda que existe (é irônico, pois a figura do Caetano é uma das coisas que mais me faz ver que o tempo passou. Todos aqueles caras da MPB que a gente gostava estão velhos, beeem velhos). E sim, eu presto um tributo constante à minha juventude - que nem foi tão sensacional quanto eu desejei, mas era juventude afinal de contas. Eu GOSTAVA de ser jovem, eu queria ser jovem pra sempre. Não sei quanto aos outros "novos" quarentões do pedaço, mas pra mim tá sendo barra. As razões para isso são várias, mas talvez a principal delas seja o fato de que dia desses me peguei protelando pela bilionésima vez algum projeto (de música ou de desenho) e uma voz interior me disse: cara, tu já não pode se dar a esse luxo... na real, tu já demorou demais... já era pra ter feito há muito tempo. E a voz continuou: te liga, sem-noção... aquela tua síndrome de Peter-pan já não tem mais onde se escorar... olha tua carinha no espelho e aceita, el tiempo pasa!
Tenho um amigo da mesma idade passando por crises parecidas. No caso dele o que parece estar pegando é o fato de que não produziu nada para a posteridade. O cara tem (ou tinha) pretensões artísticas, mas não escreveu o livro que a Companhia das Letras quer publicar, não desenhou a HQ ganhadora do prêmio Eisner, não deixou, enfim, o nome na calçada da fama. Isso não me torna melhor nem pior, mas preciso dizer que a minha frustração é de um matiz diferente: há muito tempo estou resignado com isso de não ter produzido nada de significativo no campo das artes. Tentei várias vezes, mas não foi demorado - e nem traumático - pra perceber minha mediocridade e aceitar o fato de que eu não tinha nada pra dizer (nada de original, pelo menos). As coisas são como são, um Rimbaud ou um Orson Welles não nascem todo dia. É aceitar isso ou nutrir a esperança de ser como o Kant, um cara que só foi produzir algo significativo (e bota significativo nisso: A Crítica da Razão Pura) quando tinha 57 anos. Um consolo para os de alma nobre que fazem arte pela arte, mas para mim o virtuosismo artístico deveria andar sempre de braço dado com o vigor da juventude, que sabe torná-lo mais festivo e sabe também usufruir melhor dos seus frutos. Tudo bem, sei que há controvérsias, mas ainda não sou velho o suficiente pra abrir mão desta opinião.
Mas voltando: se eu não compartilho o tipo de angústia do meu camarada, porque me incomoda o fato de não mais poder protelar meus projetos artísticos? Parece contraditório, uma vez que eu já havia aceitado minha incapacidade de dar ao mundo uma obra de arte de valor. Buenas, não se trata de preocupação com a obra, trata-se de preocupação (indignação) com vitalidade. Não vou morrer de desgosto se o mundo não souber quem é o Telmo, mas vou ficar muito triste por não poder mais brincar (simplesmente brincar) com a possibilidade de, quem sabe por acidente, acabar produzindo alguma coisa legal afinal de contas. E como tenho aquela opinião sobre virtuosismo/juventude, é claro que daqui pra frente só vou esmorecendo. Dá pra entender? Eu não queria perder o lúdico da coisa, e o lúdico da coisa não tem nada a ver com um senhor maduro. Por favor, não pensem que sou preconceituoso. É claro que velhos também podem brincar, mas não do mesmo jeito que jovens. Quer um exemplo? Tome um porre (de cerveja barata, sentado no meio fio) aos 20 e tome outro aos 40. No dia seguinte fale comigo. Essa é apenas uma das minhas ideias de diversão. Eu sei que com a idade os prazeres mudam, mas é foda... eu penso como o Jack London, a plenitude física tem muito valor pra mim. Talvez acabe morrendo da forma triste que ele morreu (e também o Nietzsche, um cara que por sinal o London admirava). Ou talvez a ciência descubra uma forma de garantir a imortalidade. Hum... pois é, mas a imortalidade não me interessa. Eu quero morrer um dia e passar logo pra fase seguinte, se é que ela existe. E quero ficar jovem até esse dia. É foda...


terça-feira, 30 de abril de 2013

Foi num 1º de maio

Um pouco mórbido talvez, mas não me contive e decidi botar esta história aqui no blog. Há 66 anos, num 1º de maio, uma moça se jogou do 86º andar do Empire State Building. O fato ficou conhecido como "o suicídio mais bonito do mundo" (parece que o Andy Warhol pintou uma tela sobre isso). Havia um fotógrafo por perto quando a bela moça "aterrisou" sobre uma limousine. O cara fez o registro e não dá pra negar que tem uma plasticidade bonita.
Convicções religiosas à parte, o suicídio tem mesmo um potencial pra beleza. Nos filmes, principalmente, ele já rendeu cenas memoráveis (agora só consigo lembrar de Thelma e Louise e, o meu preferido, As Invasões Bárbaras, mas sei que tem vários outros). Na vida real poderia resgatar o do escritor japonês Yukio Mishima, que cometeu o seppuku, suicídio-ritual lá dos malucos. Aliás, entre escritores o negócio é farto: Hemigway, Jack London, Hunter Thompson, Sándor Márai e por aí vai. O Sócrates, quando resignou-se a tomar a tal da cicuta (não confundir com sukita), também protagonizou um suicídio de beleza com um "quê" existencial. E tem a literatura... tantos e tão bonitos os suicídios: Romeu e Julieta, Werther, Mme. Bovary (tá, esse não foi muito bonito), Gilliat (Trabalhadores do Mar - Victor Hugo) e... e... outros... ando meio esquecido.
Buenas, mas chega de falar de morte (é que sou de escorpião, com ascendente em capricórnio...). Era tudo uma desculpa pra publicar esta foto. Quem souber ler em inglês, pode ver a história com maiores detalhes aqui.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A outra propaganda...

Achei. Agora, olhando de novo, já não gostei tanto quanto anteontem, quando vi na TV. É bem feitinho e tal, mas talvez o problema seja exatamente esse: estética Zaffari, como alguém bem disse. Seria legal se fosse bem feitinho e menos padronizado. Buenas, na pior das hipóteses merece elogios por ter fugido àquela estética de propaganda institucional, diametralmente oposta a do Zaffari, mas não por isso boa.
E hoje, no Globo Repórter (daqui a pouco, na real), segundo meu irmão River, vai passar uma reportagem sobre Canoas, os Territórios de Paz e o sistema de monitoramento usado na cidade. Hum... talvez a coisa mereça mesmo um destaque, mas não consigo deixar de pensar naquilo que escrevi no post anterior. Vou olhar pra confirmar ou descartar essas suspeitas.

Não consegui fazer o upload do vídeo (foi postado há apenas 4 dias... talvez por isso), mas o link é este:
http://www.youtube.com/watch?v=rmW971GSek0

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Propagandas

Tenho visto um pouco de TV, durante a noite. Tá a merda de sempre, mas uma que outra coisa vale um registro. Vi duas propagandas que me chamaram a atenção. Uma da Prefeitura de Canoas, lugar onde já trabalhei - na Sec. de Cultura - e outra dum novo carro da Peugeot. A da prefa me impressionou pela qualidade. Muito bem feita, mesmo. Infelizmente não achei no YouTube pra colocar aqui, mas tá passando na TV meio direto, eu acho (deve fazer parte da campanha não oficial pra popularizar a figura do Jairo Jorge, atual prefeito, que tem planos de ser governador do Estado - planos que contam, me parece, com a simpatia da RBS (deus nos livre!!! que eu esteja errado, por favor!!!)).
A outra propaganda também é muito bem feita. Criativa e nostálgica. Resgata os personagens do antigo desenho animado da Hannah-Barbera, Corrida Maluca. Perfeito. Tá na TV, mas resolvi postar aqui... uma espécie de tributo às tardes (ou manhãs... não lembro) divertidas da minha infância.

sexta-feira, 15 de março de 2013

This is a Rebel Song - Sinéad O'Connor

Meus amigos mais rockeiros vão me chamar de bicha-gay-viado-etc. Acho que os não-rockeiros também (na real, os camaradas vivem se xingando assim). Que chamem... não me importo. Nada vai mudar. O que me importa agora é compartilhar esta música com outras pessoas e talvez enternecê-las também. Cada vez que ouço - e tenho ouvido muito, porque achei muito bonita -, choro. Poderia dizer que "ando meio à flor da pele", mas a verdade é que a voz e as músicas da Sinéad O'Connor sempre me comoveram. Andava sem ouvi-la já há bastante tempo. Em alguma das minhas "limpas", tinha me desfeito de seus CDs. Também não ouço muita música no computador (gosto de música, mas não sou aquele tipo de pessoa que está SEMPRE escutando). Voltei a encontrá-la porque, dia desses, desfazendo-me de vários outros CDs, acabei pegando na troca uma coletânea de alguns dos seus maiores sucessos: So Far... um nome bom pro disco e bom pra mostrar há quanto tempo eu não comprometia minha sexualidade chorando ao ouvir uma música.
Bem, essa "This is a Rebel Song" me era desconhecida. Ouvi a primeira vez e achei bonita, mas guardei o CD e não tornei a escutá-lo por algum tempo. Aí, dia desses, ouvi de novo. Continuei achando bonita, mas não fazia a menor ideia do que dizia (meu ouvido inglês é meio surdo), então fui buscar a tradução na internet. A partir daí me pegou. A letra me fez gostar ainda mais da música e fiquei impressionado comigo mesmo: como pude achar essa composição apenas bonita quando, na verdade, é linda?
Sugiro a leitura da letra (e sua tradução) antes de ouvir/ver a música. Faz ter uma outra percepção da coisa. Tentei entender se era uma canção de amor (como a cantora diz no vídeo) ou uma música política, como o título sugere. Nos comentários do YouTube muita gente diz que se trata de um protesto contra a opressão dos ingleses sobre a Irlanda. Não sei... é bela de qualquer jeito.


I love you my hard englishman
Your rage is like a fist in my womb 
Can't you forgive what you think I've done 
And love me - I'm your woman 
And I desire you my hard englishman 
And there is no more natural thing 
So why should I not get loving 
Don't be cold englishman
How come you've never said you love me
In all the time you've known me 
How come you never say you're sorry 
And I do
Ah, please talk to me englishman
What good will shutting me out get done 
Meanwhile crazies are killing our sons 
Oh listen - englishman 
I've honoured you - hard englishman 
Now I am calling your heart to my own 
Oh let glorious love be done 
Be truthful - englishman
How come you've never said you love me
In all the time you've known me
How come you never say you're sorry
And I do
I do

Eu te amo, meu duro inglês
Sua raiva é como um soco no meu útero
Será que você não pode perdoar o que você acha que eu fiz?
E me amar, eu sou sua mulher...
E eu te desejo, meu duro inglês
E não há nada mais natural
Então porque eu não mereço amor?
Não seja frio, inglês
Como é que você nunca disse que me ama
Em todo esse tempo em que me conhece?
Como é que você nunca pede desculpa?
E eu peço...
Oh, por favor, fale comigo, inglês
Que bem vai fazer em me calar
Enquanto loucos matam nossos filhos?
Agora escute, inglês
Oh, eu te honrei, duro inglês
E agora eu estou chamando seu coração pra ser meu
Oh, deixe o glorioso amor ser feito
Tenha fé, inglês
Como é que você nunca disse que me ama
Em todo esse tempo que me conhece?
Como é que você nunca pede desculpa?
E eu peço...
Eu peço...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Amores perros


Dia desses apareceu um amigo da antiga aqui na praia. Os pais dele moram no bairro ao lado, então o cara veio vê-los e deu uma esticada até a minha humilde residência (foda-se Michel Teló, não vou deixar de usar essa expressão por tua causa, seu sertanejo/pagodeiro sei lá o que dos infernos!!!). Daqui fomos pro centro tomar umas cervejas e de lá pra casa dos velhos dele, onde uma mesa de bilhar impecável iria testemunhar as tacadas mais infelizes que um sujeito pode dar (eu). Depois de perder várias partidas pro meu amigo e pro pai dele, voltei pra casa. A mãe desse meu amigo tem cinco cachorros no pátio e dá comida pra mais uns cinco da rua. Pude ver que havia, inclusive, casinhas na calçada pra esses cachorros de ninguém.
Não é incomum isso. Aqui na praia já vi outros casos. É cachorro demais. Abandonados demais. Tem gente que compra um cachorro apenas para o veraneio. Termina a praia, voltam pra cidade, mas o bicho fica. Dá pra acreditar numa coisa dessas? Outros abandonam por aqui cachorros que já são da família há tempos. Assim... simplesmente vão e deixam o bicho pra trás, largado à própria sorte.
Algumas almas condoídas se apiedam dos guaipecas e passam a alimentá-los. A mãe do meu amigo disse que gasta em torno de 200 reais por mês com os cuscos. Brinquei com ela dizendo que, atualmente, não ando gastando 200 por mês nem comigo mesmo, imagina com cachorros!!!. Não sou fissurado em animais (já escrevi um texto sobre essa doença que acometeu as pessoas na cidade), todavia sou decente: tenho muita pena desses bichos. A comida que dou pra eles é resto de carnes que consigo de graça num açougue aqui das redondezas (às vezes não tem, então acabo indo a outros açougues, onde tenho que pagar por esses restos). Depois ainda gasto com o gás e (minha mãe que não leia isso) com os tabletes de caldo de galinha que sobraram por aqui (não sei usar esses trecos). Na maleza que tô, com a grana contadinha até pro meu rango, fica difícil dispender mais do que isso.
Fico pensando no que será destes cachorros se um dia eu for embora (coisa bem provável, considerando meu histórico). Quem vai alimentá-los? A verdade é que me apeguei aos pulguentos. Não os trago para dentro, não vou lá enchê-los de mimo e não dou mais do que o estritamente necessário para que não morram de fome, mas gosto deles. Com o passar do tempo, vi que cada um tem um jeito, um comportamento. Queria que tivessem a sorte de ser adotados. Todos eles:

- o Benji (os nomes, na falta de outros, foram dados por mim) é o meu preferido. É um cachorro mais pra pequeno, branco. Tem um pelo ralo e meio comprido. Dá pra ver a pele por baixo. Ele é todo malhado, parece um dálmata, mas os pelos são apenas brancos. Na cabeça esse pelo um tanto comprido dá uma aparência simpática pro guaipeca. Eles caem um pouco nos olhos e parecem uma pequena barba. Está sempre “esgualepado” (palavra que acho perfeita pra ele), com carrapichos e pedaços de grama grudadas no corpo. As orelhas sempre machucadas. Esta semana, como tinha um sangramento e as moscas tavam infernizando o coitado, passei um álcool pra aliviar. Assim como os outros, é normal o Benji aparecer mancando de alguma perna. Isso acontece porque eles avançam nas motos que passam na rua e, às vezes, acabam sendo pegos por elas. Outras vezes é por causa de espinhos e/ou rosetas. Quando percebo, vou lá e tiro. Ah, também pode ser por causa de brigas com outros cachorros. O Benji, aliás, é cheio de marcas pelo corpo. A bicharada se pega pra valer por aqui. Observo esse comportamento. É interessantíssimo. A hierarquia, o estilo de cada um. O Benji respeita o Ruivão – o macho dominante - mas é o único da turma que se bota no Capeto, um cachorro lindo (lindo mesmo, queria pra mim) que corre Cidreira inteira atrás das motos dos caras da empresa de segurança, seus donos. Ele (o Capeto – nome que tb inventei) vai onde quer e peita qualquer um. Quando passa aqui na rua, a cachorrada fica alvorotada: latem, correm atrás, uivam e tem um que até chora. O único que se engalfinha com ele de vez em quando é o Benji, que é bem menor. Injustiça com o Capeto, que parece apenas querer ser amigo de todos eles.
- a Cléo é a minha segunda preferência. Ela é toda preta, de porte pequeno/médio também. Um pelo negro e lustroso. A língua é meio roxo/azul, como a dos Chow-chow. Tem um corpo esguio, um tipo elegante. Porque me lembrava aquelas esculturas egípcias com cabeça de cão, batizei-a Cléo (Cleópatra). E embora pareça contraditório com a figura egípcia, a cabeça dela leva uma semelhança sutil com a de um pitt-bull, mas não tem nada de feroz, pelo contrário, é uma lady. Quando a cachorrada enlouquece pela presença do Capeto ela é a única que está lá, tranqüila no canto dela parecendo não entender direito o porquê de tanto barulho. No início ela era muito tímida, demorou bastante pra se aproximar. Quando finalmente veio, peguei uma tesoura e cortei a coleira que ela tinha no pescoço e que fazia com que arrastasse uma corrente. A Cléo já parece ser a segunda na hierarquia da matilha. Exceto pelo Ruivão, ninguém rouba a comida dela.
- o Ruivão. É um cachorro já velho que o pessoal da volta chama de Aipim. Botei um nome mais elegante. Ele tem uns olhos sensacionais... grandes e meio ressabiados. O nariz é descolorido, bem de alemão mesmo. Aliás, um focinho que tá sempre escalavrado das brigas em que se mete. O Ruivão não arrega pra ninguém, mas com o Capeto nunca vi ele se meter. Late, chega junto, mas não passa disso. O corpo, apesar de velho, passa uma impressão de força. Tem rabo pitoco e pelo jeito já perdeu alguns dentes. Quando dou comida pros pulguentos, boto todos pra dentro do pátio e deixo o Ruivão na rua, do contrário ele não deixa os outros comer. Ainda não descobri, apesar de toda a riqueza de “personalidades” que percebo neles, um cachorro que não seja egoísta quanto à comida. Nessa hora a lei é: quem é forte come, quem é fraco passa fome. O Ruivão já teve pretensos rivais, mas botou todos pra correr. Volta e meia aparece algum cachorro novo e se integra ao bando. Teve um que chegou rosnando e nem era pra tanto, pois era do tipo pequeno/médio também. Passava pelo Ruivão e mostrava os dentes... o Ruivão na dele. Esse outro cachorro era hiperativo, não parava quieto um instante (aliás, já vi vários deste tipo desde que comecei a observar essas figuras). Parecia estar se impondo na maior. Um dia veio a hora da bóia. Esse cachorro foi pegar um pedaço de carne que joguei e nem viu o que o atropelou. Na real nem eu vi. O Ruivão se arremessou contra ele como um jogador de futebol americano. Não deu tempo nem de o bicho entender o que tava acontecendo. Foi uma sova. Pensei: mais um que terei de botar pra dentro do pátio na hora do rango... mas esse desapareceu da rua. Outra vez apareceu um cachorro grande, muito bonito, de pelagem branca e volumosa. Não tinha como não chamá-lo de Lobo. Ele e o Ruivão se pegaram algumas vezes. Ora um, ora outro levava a melhor. Nenhum desistia. Eu e meu pai separávamos as brigas com jatos de mangueira (tentamos antes bater neles com um pau, mas eu jamais bateria com força e então não adiantava nada). O Lobo, pelo jeito, era um cachorro recém abandonado, acostumado a viver num pátio. Ele entrava no nosso e não tinha jeito de tirá-lo pra rua. Queria ser aceito na marra, o coitado. Dava pena de ver a obstinação, quase que uma súplica nos olhos: deixe-me ficar aqui, por favor. Mas ele era um problema. Enquanto os outros se contentavam em ladrar para os estranhos, ele avançava mesmo e aconteceu de morder gente. Um dia desapareceu. Espero que esteja bem. Gostaria de vê-lo preso num pátio qualquer dia desses.
- o Mickey é um machinho pequeno. Não gosto dele. É o menor da turma e o último da hierarquia. Não tem muito o que fazer, o naniquinho. A criançada o adora e aquelas pessoas que gostam de cães pequenos também. Eu sei que ele é um covardezinho (é o que fica chorando quando o Capeto passa). Se aparecem cachorros estranhos, ele é o primeiro a latir e avançar, mas porque sabe que a turma dele vem atrás. Sozinho, ele corre se enfiar no primeiro buraco que vê. Também é um puxa-saco, fica tentando agradar os cachorros maiores. Quando pego a bicicleta e vou ao centro resolver qualquer coisa, três deles (o Benji, a Cléo e o Mickey) vêm atrás de mim. É um saco. E perigoso também. Fico com medo de que sejam atropelados. No meio do caminho passamos por vários outros cachorros. O Benji dá um jeito de contorná-los ou enfrenta. A Cléo também. O Mickey enfia o rabo entre as pernas e sai em desabalada de volta pra casa. Agora, sempre que saio, dou jeito de deixá-los trancados no pátio. Às vezes encontro bagunça quando volto, mas prefiro assim. Um dia, tendo deixado todos presos, encontrei o Mickey na rua. Até hoje fico imaginando como o pequeno pusilânime escapuliu. Outro dia aconteceu o mesmo com o Caramelo.
- o Caramelo é o mais novo da turma. Novo na idade (é pouco mais que um filhote) e novo na afiliação à matilha. Simpatissímo o camaradinha. Pelagem clara, meio amarelo (daí o nome Caramelo, que não fui eu quem deu, mas sim uns gurizinhos que moram na outra quadra e pra quem prometi fazer uns bodoques (funda, estilingue, atiradeira (vai saber que parte do Brasil tá lendo este texto))). O Caramelo tem orelhas compridas e caídas e patas fortes, o que sugere um cachorro grande quando adulto. Tá sempre brincando. Não tem muito o que falar dele, pouco tempo de observação. Sei que é um esfomeado... mas isso, quase todos são.

Então, assim... queria pedir umas coisas:
1 - não abandonem seus cachorros;
2 - esterilizem as fêmeas (uma injeção é baratinha);
3 - se você tem condições, adote um guaipeca... eles são bem legais.